Pedro e Inês
- Sofia Dias

- 10 de jan.
- 1 min de leitura
alguém que me ensine por favor. como se faz. eu sempre aprendi rápido. e mesmo quando não percebia, fazia imensos exercícios de matemática até as décimas coincidirem com as do número das soluções e a piscina da Maria ser grande o suficiente para o cão lá caber. apagava e escrevia tudo de novo, até o papel estar tão fininho como um fio de cabelo e as contas passadas estivessem lá marcadas, provas das minhas tentativas falhadas. isto é sempre a mesma coisa. até as metáforas já estão gastas. alguém que me dê uma metáfora por onde desaparecer, por favor. até a poesia já está fora da validade. eu que tanto escrevi sobre o Amor, já não tenho palavras bonitas para lhe dar. eu sou eu e depois Ele chega e eu sei lá. preciso que me devolvam sanidade e ordem. expliquem-me passo a passo, prendam-me a uma cadeira, porque eu vou achar a aula uma grande seca e vou querer sair dali para fora. vai me dar uma grande dor de barriga e vómitos horrorosos. só tenho duas sensações - frio cauteloso e suores amorosos. foi me diagnosticado na ecografia, juro que foi. depois é que descobriram a vértebra maior do que a outra. primeiro condenaram uma romântica ao calabouço e depois fizeram-na marreca.
mas nem tudo é mau, quem lhe dera ao pedro e quem lhe dera à inês ser como eu sou (e a minha escoliose ainda contribui para o sustento de muitos instrutores de pilates).




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