café
- Beatriz Pereira

- 19 de dez. de 2025
- 1 min de leitura
Derramo cafés a cada seis meses.
Quando a rotina perde sentido, o modo automático só se ativa com o seu travo amargo. Então, uso cápsulas, pó, grão para retornar o sentido à vida.
Sinto-me enganada todas as vezes em que o resultado de felicidade imediata, relaxante, é substituída pela sensação quotidiana de mero olear das engrenagens do meu corpo. O café traz-me a sensação regular de saber que tenho de o deixar, sem o querer realmente fazer, pela promessa de revisitar o conforto que ele outrora já me foi.
E é por isso que derramo cafés. Para dentro do meu organismo. Para o ralo. Para o chão. Quando me apercebo que estou farta de reviver um romance falhado.




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