Resposta do Pedro e ataque de raiva da Luísa
- Sofia Dias

- 8 de nov. de 2025
- 2 min de leitura
Há cerca de 3 anos comecei uma segunda série de crónicas. Estava a passear pelo Girino e vi a carta que a Luísa tinha escrito ao Pedro e fiquei pasmada por ser tão bonita (aconselho a ler antes destas). Heis os desenvolvimentos da correspondência, anos mais tarde.
Resposta do Pedro à carta de despedida da Luísa
Querida Luísa,
Palavras doces as tuas.
A minha masculinidade não me permite responder-te com o tipo de palavras que me escreves, apenas quero que saibas que estou grato por elas.
Tenho saudades das estrias nas tuas costas, lembras-te quando as tracei com protetor solar na praia? É verdade que quando me vês já sou outro e também é verdade que nunca me apercebo disso. Desta vez, já não sei o que é que a vida vai fazer de mim.
A Madalena anda estranha, sabes como é…
Queres ir beber um café algum dia destes?
Sempre com amor,
Pedro.
Carta do Pedro anotada pela Luísa num ataque de raiva
Querida Luísa,
Palavras doces as tuas.
A minha masculinidade não me permite responder-te com o tipo de palavras que escreves, apenas quero que saibas que estou grato por elas. (Preguiça aguda é o que tens, nem tentar tentas. Que desperdício de latim...)
Tenho saudades das estrias nas tuas costas, lembras-te quando as tracei com protetor solar na praia? (Tens saudades é de ter uma relação emocionalmente estranha e dependente comigo, tens é saudades dos meus eternos sins, porco. E, sim, lembro-me de não conseguires tirar a tampa ao protetor solar e de pensar que a tua mãe era provavelmente quem te espalhava o protetor na pele, por tu não saberes, mesmo com 20 e tal anos. Lembro-me de achar isso querido, agora acho infantil e ridículo.) É verdade que quando me vês já sou outro e também é verdade que nunca me apercebo disso. (Apercebes-te, sim. A ideia de que não estás consciente das tuas ações, enquanto as praticas, quando resultam em merda é muito típica tua.) Desta vez, já não sei o que é que a vida vai fazer de mim. (Tu fazes-te a ti próprio, Pedro. Está na hora de seres homenzinho.)
A Madalena anda estranha, sabes como é… (Não sei como é, na verdade. Escreveste o nome dela para 1. Me causar ciúmes - o que boa sorte, mais rapidamente voltava a beijar a Madalena do que o namorado dela. 2. Receberes luz verde para reclamares do quão difícil é ter um compromisso sério com alguém.)
Queres ir beber um café algum dia destes? (Preferia meter a cabeça num forno, anormal.)
Sempre com amor, ("Sempre com necessidade que me digam que sou um bom menino e que é okay tratar as pessoas mal, sob o pretexto de as amar muito e de amar envolver cometer erros." A tua vulnerabilidade é a tua maior forma de manipulação, parabéns!)
Pedro. (Cabrão que destruiu a minha perceção de amor e que não mereceu metade das palavras que lhe dirigi.)



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